quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

sem um verso. com vazio do universo. e os buracos de mim.

o céu tá tão bonito aqui, pensei, acho, que as nuvens deveriam ser mais profundamente estudadas. talvez elas reflitam os astros todos num vazio do universo
que acha? - o movimento delas é sem tempo, e sempre diz algo. já reparou?

diz seca palavra.

escreve  como quem
disseca sutilezas na dobra do dedo
risca a folha  e de lá impõe o peso
letra.
num vazio de palavras
olvidos presos a nuvens borradas de céu.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010


a corda
Entrelaçada por seus dedos finos
Num nó
Amarra as possibilidades da vida

O vão entre pescoço e pés
Que balançam
Balançam
Em dança
É o que sinto por você. este vão maior. menor.

este espaço que acaba o tempo

O caminho existe por isso ainda retorno
Tem flores amarelas no meio tom
Na margem da estrada
 

Quando choro. Choro.
Noite inteira.
Miro – e choro.
A falta não é boa. Porque coisas boas existem.

Caio em si
Sol angular molha meus olhos de escuridão
Quando chego há quase um eu
em mim. um meio eu. entre.
um ar em vão do chão aos pés
dos teus pulsos
olhos que contam os pensamentos corriqueiros
minhas confusões, medos, outros afetos
pra nascer levaria uma vida
cada palavra arranjada pensada pra não ser
em palavras arranjadas te esqueço

E me esqueço,
etc e tal.



sábado, 25 de dezembro de 2010



deixei parte do meu dedão
 em uma trilha qualquer

me enchi de doces
daqueles que não podia comer
na noite de natal - quando um homem bêbado

vinha feliz fazendo a travessia da rua

o vestido da primeira comunhão tinha babados
não gostei do meu cabelo preso,
achei nada apropriado pro momento

e os doces que saltavam de um bar
como um presente que não deveríamos receber

 fiz a travessia da rua
parte do meu pé ficou por lá
perdido na sarjeta pedido por você.

é tão belo crer -

mulheres rezando na noite, ajoelhadas,

pedindo, em ladainha de sexta-feira do perdão, pra chover.

tem tanta beleza em crer.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

os encontros
as festas
os rituais
têm a cara de nossas vidas.

da vida que levamos, da que queremos levar

aquela que nos alcança

no meio dia pálido
no fim de tarde lilás

na manhã transparente

na viagem sem programa. na estrada. nos motoqueiros sem rumo. no som que corta o meu ouvido, música.
na noite que quero, sem dia. no que consigo simbolizar.

- um natal. uma festa. um fim de...

que de bom contenha
 aquilo que você é.

e hoje é sexta-feira:

amor,

pra que possa dançar.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

e um dia longo. um dia inteiro. e as palavras se aprontam.
me presenteiam:

uma gota pingando no chão no escuro da casa. fundo de casa.
junta A um bicho escondido no mato, no seu barulho, que repercute nos ouvidos zonzos de saudade. repete o som da sua vida. existência. parece metal. tenho saudade de um som que nunca ouvi. muita saudade do seu ombro.

o som da sua existência. lembrei do Sartre confundindo um queijo com algum objeto que orna a casa. em algum livro que não li. nem lembro o nome.

de tanto que existe parece névoa, que existe, e névoa é o amor.

e não orna a casa nem é queijo. e não é - nenhuma confusão com objetos de um livro que não li.

existir tanto pra não existir jamais. existir por completo pra não ter mais que existir.

ontem choveu aqui. achei uma livraria. e um livro:

...

"Alguns dias depois o nosso gato subiu

na minha mesa, acomodou-se no meio da papelada, fez romrom

e fechou os olhos. Pousei a caneta, acariciei-lhe a cabeça

e disse baixinho, Não conte a ninguém, mas descobri, a

bolha de sabão é o amor." (Lygia Fagundes Telles) ...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Aprendizado ou a viagem ao centro da terra.


[Transalucinação de trechos da prosa de Alejandra Pizarnik]





A. pegou o pote onde estava escrito:

“Beba-me e verás coisas cujo nome não sonha o silêncio”.

A linguagem é um vácuo onde nenhum objeto parece ter sido tocado por mãos humanas.

Falo com a voz atrás da voz e com os mágicos sons da língua encantada.

Embriaga-me a luz que transforma minhas palavras em um esplêndido castelo de papel.

Permito-me visões e figuras pressentidas segundo os temores e os desejos do momento.

Sobrevoa-me a morte. Busco a saída.

Volto a mim e vejo uma dor que não acaba.

Luz estranha a todos nós. Em mim, tudo se diz com sua sombra.

Azul é meu nome.

Sou capaz de morrer por uma palavra mal pronunciada.

Os sofrimentos me dispensam de dar explicações.

Já não significa para mim a língua que herdei dos estrangeiros.

Sei bem que minha ferida não deixará de coincidir com a de alguma “supliciada”, que um dia me lerá com fervor por eu ter deixado de dizer que não tinha nada a dizer.

Eu falo a partir de mim.

Para sempre em meu ombro direito dois êxtases poéticos
.
.
Adriana Versiani dos Anjos.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

igrejinha. areia branca. trilha.
filhos.
choveu em nós hoje.
água cristalina. macia. descalça.

tudo tanto num dia. e as horas prolongadas da travessia.


cansada. margem. meus olhos ardem. o sal e a areia grossa

de conchas. um mar que devolve tudo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

distância invadida pelo ritmo dos pés

os pés marcam passos
e diminuem e diminuem
entre nós
aumenta a pressa dos pés
que diminuem o espaço
sincrônico dos olhos.

amanhã passou
marcas

a distância acalma
partes

o medo esquece



e um grito

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

sementes e palavras.

já sei. já sei o que quero de presente de natal. é. uma poesia que venha escrita em uma folha que é semente.   semente de uma flor qualquer. cravo. girassol. flor de mato. ametista. enfim. um papel feito com sementes. pra plantar aqui em casa. já coloquei o pedido na minha botinha vermelha (rs), e também já me decidi, mesmo que não ganhe, farei isso: um livrinho, com papel feito em casa, reciclável, misturado com sementes e palavras.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

angústia de festas
no ar
no meu peito
o mês de dezembro não fecha
só abre
.
.
.
em você.
(flor teimosa que nasce no cimento)

sábado, 11 de dezembro de 2010

o pedro fechou o ano com seis em geografia mas arranhou uns versinhos

mãe,

"tem um sul já onde é frio."



ps. a fotinha é minha mesmo. porto alegre.


filho,

a lua de porto alegre
meio dia meio noite
melodia
deixa azul as paredes do céu
amarelado.


mãe,

nossa vida tá dando super certo, reparou?

 
tem uma mulher parindo o mar
deitada em frente à janela
com os céus seios
em pedra
dos olhos
do morro
de nuvens

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

na verdade eu nunca quis fazer tradução de nada meu sonho sempre foi fazer revisão de textos.

tradução? se bem que tem a ver com antropologia. traduzir.


traduzindo o que escrevi sobre a revisão dos meus cinco anos -
(ainda não)
é mais ou menos assim
aquela força que fez contrária a minha me fez lembrar por completo meus cinco anos. e agora não preciso mais deles. esqueci. e agora eles me a-parecem por aquele instante e isso me faz bem.


revisão de texto.

para tanto haver clareza no que escreveu saudade antes e depois de vírgulas. pode ou não estar acompanhada de vontade. pode ou não estar-fazer parte de uma pequena conclusão.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

palavra sais

a primeira vez que tentei escrever pra você
a voz não saía
estava louca
a voz rouca de um lápis no papel sempre me arrepia

na vermelhidão da ferida
a febre
o dia
a cura

a casca de casa
de você.
o cheiro da goiaba.
a vida
o morrer

preira há de existir
previra olhando o olho mágico riscado de casa
meia voz, mais ainda, não rouca, que rouquidão é cansaço largo de caminho cumprido
misturado aos pés cansados
lama do chão.

vestindo os pés de chão.

os ônibus, observe, pontuam os sinais. em distâncias. em palavras. em sentidos.
porque tem poesias nas mãos

que me benzem.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

a primavera, fim dela,
de Brasília
tem flores de mato
tão simples
tão belo
coloridas
o centro de campinas me sufoca
e a rodoviária é tão branca
e tudo anda tão limpo

eu vi tanques de guerra
no céu de Brasília
um dia antes do rio, as nuvens de Brasília formatavam os
tanques das guerras do rio, fotografei pra você crer. viu?
de dentro do palácio, através do vidro, eu vi no céu de Brasília -

(eu não sei dizer Brasília sem dizer Brasília.)

a invasão de um rio
e naquela sexta-feira retrasada
minhas mãos fizeram, ah, mais fizeram, amor por você. pode colocar com também se quiser.
crê?

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

tanto faz para o que caminho

 o vazio atolado de palavras
tem um silêncio sonoro
que ocupa os surdos.

atolados de um vazio
as vontades
absorvem a sonoridade
de um vulcão adormecido
e zonzeiam palavras

uma mera combinação de palavras
retalha um conteúdo sonante
que cega.

cega e surda
o que sobram são sílabas mudas
preenchidas de línguas
de aspereza necessária
para acordar o seu útero.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

bom dia...



não durmo. pra quê?

acordei no sudeste
pra dormir no centro de alguma coisa
referendável. um pouco de pelos pro azul estático.
mais amarelo pro árido ar. ainda respirável.
um beijo amável só pra rimar. hoje te encontro aonde não está.

sábado, 20 de novembro de 2010

criança-me

sonhei.
vazio transparente.
vaso de sete ervas.
no chão entre-lajotas há flores
secas
coloridas
no chão entre-lajotas
as flores

não ligo nada à nada.
nada há nada.
a melodia funde minha cabeça.
e minha cabeça fundi. silêncios.
há melodia.
eu sei -
inventa brincadeiras de ouvir os silêncios,
um som tímido
sua pausa umedece os vãos das minhas palavras.

mas, e,  não sei ar  não sei vãos
onde não há palavras
por qual lógica, método ou rima
que te respiro?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

um infinito de coisas.



E se eu tivesse aprendido música, ainda na infância,
O que meu ouvido ouviria a mais. Os números são infinitos.
Finita é a melodia. Porque nem sei o que é melodia.
Minha educação musical, oficial, começou aos 15 anos. Quando minha professora de geografia me livrou de um cachorro quente e me levou pra almoçar na casa dela. Um piano enorme na sala. Foi a primeira vez que vi um piano. Ela era professora de música. E passava horas estudando. Seu florentino não, o marido dela, tocava de ouvido.

Desaprendi violão com uns sete ou oito anos. O homem não falava: na garganta um ferro preso.


As notas coloridas, depois, escorriam do ouvido igual fosse ralo de música.


Deve-se ter dom pra aprender música. Igual se fazer poesia. Ou tom?  As melodias e os números são infinitos...

Pensa, em toda manhã que não queremos ver o céu.

O céu é infinito.

A gente é finita.

O mundo também. Mas os números não. E as melodias?

E o amor, acaba infinitamente todo dia e, finitamente recomeça.

Deus organiza a fila: finitos pra cá, infinitos pra lá. Quase um dança. Não, deus não dança. Joga, dados. No liquidificador?


Ele está enjoado de poesia. Engravidou-se dela, é o preso dos primeiros meses.

Ou seria preço? Estamos presos aos primeiros meses de felicidade.

Notas e palavras se combinam e descombinam.

O som do mundo. Tem passarinho, tem rodovia, tem poesia, tem vizinha tagarela, tem criança que corre, tem louco na janela.

Tem céu que não olho. Não quero mais escrever. Quero mais escrever. Quero mais. Porque o de hoje cedo foi pouco.


porque de você
eu não penso nada
 só amo.


porque de você
os por quês

de você a exaustão em ser
me cansa

de você, a poesia,
(...)

de você este abismo que fala
que diz que diz que mostra nos olhos
me estranho. nem imagino o que seja isso
ter um abismo nos olhos.
Já fugi para o jardim. e lá é plano, e no chão lajotas pretas e eu contava-contava, esquecia dos vãos entreelas. Ou nem isso. Ia lá e somente pensava que as horas iriam passar, finitas, e  voltaria pra casa. E as horas infinitas meadeeternam, ou quase isso. O eterno não pode ser quase. É absoluto.

Eu já ouvi falar de olvido absoluto. Seria um ouvido infinito?
Dizem tem músicas que estragam o ouvido. E separam estas aqui estas lá. Estas quose lá, cá.
Mas mão dançar. Ou não? E veja. os movimentos são finitos. E repeti-los doe as juntas. Numa fábrica de instrumentos musicais, violinos. E tocar. E ouvir. E viver doe as juntas.
os sentidos das nossas palavras -, são outros. Tantos. E acordar com você dentro de mim é finito. Igual dança, igual música, igual fábrica de violinos, igual conta, igual números, igual a um infinito de coisas.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010



como sabia que ela viria hoje. e veio.
me roubou o sono
me fez quebrar tudo por aqui.
estranho. o meu choro é de jardim.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

 

30 de novembro de 2009

Capítulo, sete

Certa vez ouviu alguém dizer que o silêncio era sempre paz. era uma meditação onde o vazio de palavras nos levaria até deus. Mas o silêncio dela trazia eco de palavras caladas, não porque não existiam, mas porque não eram ditas. Como andar num cemitério, ali aonde tudo acontecia, o silêncio era feito de um respeito autoritário, que vinha do medo, mas se recriava pelo receio daquilo que não entendia.

O tema da manhã era o silêncio. Ela teria que escrever algo sobre o silêncio. Queria começar com uma frase de efeito: "O silêncio diz mais que mil palavras." Mas isso não era frase de efeito, apagou. Pensou, pensou, pensou...nada. Só pensava no filme que havia visto aquela tarde. Um filme assim, assim, tema batido, mas que toca, assim, assim. "Falar do silêncio". Achou melhor ficar quieta.

Daí, ela se atrapalhou toda e diante do tema fez o inverso. Começou a escrever, ‘barulhentamente’, um texto atrás do outro. Barulho, compulsão. Nem sentiu. Vomitou tudo como quem tem prazo de validade e precisa terminar a vida e entregar a quem de direito tiver o quê, melhor que ela, fazer com o que viver. Estava sentindo dores no estômago. Queria ir embora de mim a qualquer hora, desde que fosse agora, sem muita demora. Na verdade essa ansiedade começou no momento em que ele, não queria falar dele, propôs a ela, pensar durante um ano, é, exatamente um ano, em uma poesia que escreveria. Ela entregaria, no prazo de um ano, 14 de novembro de 2010, uma poesia, que segundo ele, deveria vasculhar no mais profundo dela. Então sentada na cadeira de área, que ficava na cozinha, pensou inquieta, o que sairia dela assim de tão profundo que talvez demorasse um ano? Nossa! Isso a incomodou profundamente. Não teria coisas lá tão profundas dentro dela. Lembrou-se do que ele sempre repetia: não é doçura que vejo em você, é profundezas.
..."Não é força que vejo em você, é coragem; não é inteligência que vejo em você, é sabedoria; não é resignação que vejo em você, é paz; não é saudade, é amor; não raciocínio, é inspiração." Falou isso, ela riu. sorriu."

e dormiu. porque toda vez que a felicidade vinha, a tristeza se erguia. e a lágrima não a esquecia. "É foda", pensou. Era o único xingamento que se permitia.
*eu, você (Do lado de lá)


aí errei a data - mandei 16 de novembro 2010

sem profundismos

ontem quando andava na cidade eu pensei em um poema profundo
era um viaduto. e subindo. e subindo, pensei

sair pra andar na cidade sem rumo é profundo

organizar minha vidinha é profundo
ouvir do meu filho que deus não existe é profundo
dizer ao meu filho que ele existe no meu  amor é profundo
em seguida pendurar roupas no varal e chorar sozinha com medo de ficar sozinha é profundo

viver é tão profundo
tanto que um viaduto tem o tamanho do tempo que a cidade espera dele
para alguém sem rumo
e isso acho que acaba sendo profundo
tem flores amarelinhas cercando as bordas onde vejo o céu
num relance
gosto de olhar de relance pra ver outra coisa
não o que está lá
e isso é profundo
tudo aqui é tão simples
tão triste
tão sozinho
e tão sem sentido
que acho que deva tudo ser profundo
só o que sinto com tudo isso que não é profundo
dura um instante porque no próximo algo mais profundo vai ocupar espaço do algo profundo anterior. e me esquecerei. esquecerei. e tudo se diluirá
o diluído talvez seja profundo.
e te digo mais. não exista nunca pra mim. e isso acabará profundo.
seja alguém que alguém mandou, que seja você mesmo, para que este alguém, você mesmo, não chegue.
traga um menino sempre no bolso. pra ser por você pra mim
me engane que nunca te irei pra canto nenhum
e quem sabe assim acabo de olhar o quanto não sou profunda
porque não consigo ninguém na medida superfície dela
e não seja profundo
eu morro afogada se colocar meus pés neste fio d ' água.
 
aí o felipe foi tão gentil e me mandou uma música e a sugestão de um filme. na verdade de um curta sobre paris....

Hoje eu vi um filme chamdo Paris, Te amo. São várias historinhas feitas por vários direitores. Sobre Paris. Mas o foco principal é o amor, Paris é o pano de fundo, à medida que o amor não é Paris e Paris não é o amor. Lá pra final teve uma história que me fez lembrar de vc. Era uma história de uma mulher dos EUA que foi passar as férias em Paris. Ela era uma pessoa sozinha, não tinha ninguém com quem partilhar nada, mas não era triste. Ela simplesmente estava viva, como ela mesmo diz. Não sei se vou conseguir me expressar bem, mas oq mais me chamou a tenção nela, e que acho que se parece muito com vc, foi o fato de ela se sentir sempre distante de tudo, era como se ela morasse em outro mundo, vivesse em outra realidade. Ela nunca estava onde estava. Eu acho que vc é assim, estrangeira nesse mundo.
 
Beijos! Muito obrigado pelo poema. Adorei!
 
 
felipe. 


anotações do filme: camille claudel.

do amor talhado em mármore. frio. com ventre protegido.
do amor o lixo jogado escadaria abaixo. e os gritos. da arte os pedaços, suplicantes, das estátuas enterrados no frio, na noite, no lugar em que tirou a argila. do gênio a casca, gesso. da mulher a loucura de querer ser perseguida, de ser enterrada. e presa, pra sempre, em obras expostas em salões (...). de ser glória esculpida pela vida nossa toda em material frágil: pele. ser enterrada viva num hospício de mármore.
do mundo ser tese. entrelaçada em ideia. esculpida novamente em ideias. das cartas que viveu, só, poesia.  sua imagem presa na ideia na escultura. sua imagem presa num diagnóstico -, vida.

um trechinho do filme. compartilho com vocês.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

do amor que não fez.

ele esculpiu a dor não as costas da mulher
ele desenhou a tristeza não um céu cinza
ele descreveu a solidão não um abajur cintilando um risco de luz na parede do quarto escuro
ele viveu um sorriso dentro do peito, beijando os seios dela, dentro da lembrança, dentro de tudo que não fez.

ao espaço de uma mão

de tudo que preciso um espaço de uma mão
de tão perto nem me olha
o que não o preciso
uma distância de vento adormece o ouvido
e o sorriso que vejo, cega, com as pontas dos dedos
que vejo com as pontas dos dedos
 alcança com as mãos

quando serve alça com as mãos

e tudo que não:
toca com a mão esculpida, delicada e expressiva, em mármore
que não vejo. mas diz com a mão em mármore esculpida aquilo.  não uso não me serve.
mas esculpida em mármore, diz
o que sente quando não vê. quando não espera.
fica na nuca um desenho quase em desuso, que não vejo, nem espero, nem quero, nem sei, nem posso, nem devo, quase como o sol da manhã.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

violência contra mulher?

video


Semana próxima começa os 16 dias de ativismo por uma vida sem violência (doméstica). este ano o foco é a prevenção. embora seja uma campanha internacional aqui no nosso mundinho o foco será os grupos de mulheres e a prevenção...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

lentes e dentes

a vida por vezes se demora para olhar do lado
tem cheiro de bueiro no sol quente
do meio  dia
acende  uma flor
e o  prédio das janelas grandes
tem um vazio abrupto
umas árvores desengonçadas
e minha velha ancorada na sarjeta.

e eu.

brincando de verver:

um homem sentado exausto
olhando a menina do outro lado do espaço

e seu tempo demorado.
e sua mentira engomada

ela goma demascar.
ele corpo não-querer
exceto por parte, contradição.

música.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

enxames.

abelhas tecem nuvens
do zumbido no ouvido
ao mel da picada, 
não sem antes beber da
 flor, o furor
do céu pólen.

domingo, 7 de novembro de 2010




o quite
tem aquele anjinho que eu fiz adocicado
que está um pouquinho sujo de tempo
foi uma peça única
nunca mais consegui reproduzir. isso me faz
pensar que não fui eu quem fim.
a pedrinha de cor
que eu não lembro onde achei, sei que foi pra você
e as conchas, fico na dúvida
talvez. não sei.
e aquele tecido por mim, lembra?
um pedaço
um dia quando fui buscar matéria-prima
choveu tanto que fiquei presa
e a noite passou
ainda meu medo. e os bueiros inundaram toda rua
não as águas

quase que fecho as janelas
por tantos ares

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

estreito algum

tem um vão entre palavras
na dúvida
e uma precisão de solda
na razão delas.

por que pra mim
porquê.

as nuvens são amigas
e o chão é só o chão.
e solta eles de uma janela pra você ver?

e a distância e a distância e a distância
tristância de quase
continente
um, dois, três,
e uma folha horizonte
que não junta alaska alaska
em estreito nenhum.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

você vive de morrer de quê?

conexões  na cabeça, absurdas
um cheiro azedo misturado com carne cozida, aqui
misturado não sei o que é o que
falha o esquecimento quando quero entender
de forma absoluta
parece aquela brincadeira

de vendar os olhos pra cheirar frutas:
- maçãs e pêras -
o gosto entrando pelo nariz
e o aroma saltando da língua.

e os olhos vendo
gente num bar de fotografia
- a mão alisa a pele de uma pele branca
as pálpebras tremulam
e verdejam
(eu quero dizer verdeinvejam mas achei que ficou sem forma)
melhor esverdecidos
pós-finados.

domingo, 31 de outubro de 2010

dá licença!??!!!

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! -

VIVA!,

SABE O QUE SIGNIFICA UMA MULHER NO PODER?:

PODER UMA MULHER NO PODER!!!!!,

NÃO ESQUEÇA DE SE CORROMPER MUITO...

VENDER-SE BARATO,

FAZER MÁ POLÍTICA,


E POR FAVOR NÃO SEJA SENSÍVEL SE NÃO FOR...

NÃO ACEITE FLORES SE NÃO QUISER

E NÃO ESQUEÇA DE ABRIR UM PUTEIRO EM BRASÍLIA SE ASSIM ENTENDER RELEVANTE.

VIVA! -


MUSIQUINHA.

PS: UM ABRAÇO PRA HELENA E ANTÓNIA, AMIGAS DE LUTA!, SIM, LUTA!.......QUE ESTAVAM COMIGO QUANDO ENTREGAMOS A PAUTA DE REIVINDICAÇÃO DAS TRABALHADORaS PRA CANDIDATA.






UMA CORREÇÃO: NÃO QUEREMOS CRECHE.!!!!!!! -

antes ou depois.

faz um ano que cortei meu cabelo
sinto falta do peso dele
e lembro do receio de
ver caindo no chão os fios
 após

da moça varrendo
e da forma nova aparecendo

fiquei mais leve
mas hora ou outra (me sinto) pesada.

antes:


ou depois.


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

limítrofe

o limite da ideia
o dorso da cabeça
a ideia do limite
uma dor na cabeça
no limite
o corpo que me anda
uma ideia
é o limite dela
dentro do seu limite
um limite
da outra ideia
 limitada
no limiar
tombo minhas pernas

uma imagem
um vazio
que esqueço.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

contraponto ou ponto-contra.

perdi tanto tempo por falar por querer e mais ainda por saber

daqui seu horizonte me parece sem fronteiras
fronteiras, guerras, barreiras, pontos contra

só posso ver um trisco que escapa de algum vão, das paredes
que constuídas de tempo -
e me deu perdi
me dei por falar me dei por saber
querendo

sublinha com cinismo a minha fresta

e me enxerga
e não me enxerga

pontos-contra,

(seus olhos pareciam procurar alguém - fingi - não queria que soubesse que soube)

e que te olhava sem me voltar

não queria que soubesse que te amava sem me voltar
o corpo volátil
voltado
olhava sem olhar

quinta-feira, 21 de outubro de 2010


(um sonho)


era natal, todo natal. e o natal andava pela casa. ela anda pela casa. e suas pernas andavam pela casa. e formigas andavam nas suas pernas, que andavam pela casa.

esqueceu da casa enquanto andou pela casa na noite do natal. de uma estrela no céu. do céu. em céu. rua céu. carrossel. margem céu.

e céu

por que pensar ir pro céu. é ir pro céu.
quando anda pela na hora em que anda

- a faz



ausente, adormecida, entorpecida



e azul. ela mora azul neste céu



sem sentir a certeza da casa. de andar. de céu", sim, do céu". em formigas.



nas vozes que cantavam o natal nesta casa sua cabeça ficou. e suas pernas?



ainda andam por entre cassas e céus,


entrecortadas


todos minutos andam na cabeça dela que é a casa e o natal, este.


as formigas andam nas calçadas e o musgo cresce nos vãos



eu piso o pé na calçada e penso que não deveria lembrar da noite que andei pela casa



e esqueço das formigas que andam nos vãos do chão em cima do musgo

tenho certeza que neste dia andei por toda casa e sabia do céu da casa e do natal. e ninguém viu. e o musgo.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

não ter lembrança, nem querência

o amor não tem cheiro
não tem lembrança
nem querência
paciência
tem rua
(e passos para se despedir)
quadro escuro
amargo de café frio

o amor passa horas
desprovando a si mesmo

provando outras bocas
amanhecendo noutros lugares
querendo provar que é água sede
e tudo

o amor me ocupa o pesamento
pra não sentir tédio

ocupa a palavra
na palma da palavra
- fruição

o amor me come pelas beiradas
e suga o caldo fazendo um barulho deselegante
o amor é deselegante
é bicão em festa
me visita aas pressas
num sábado de manhã
pra olhar nus olhos
e me esquecer pra sempre

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

o marco zero da cidade

a casa tem
48 janelas
e ninguém mais pra olhar de dentro
um flamboiã florido - vermelho
apoiado na memória
que reparo

te deixando folhas em branco
pra ver ao passar
com olhos de escuridão frágil
por entre  vácuos

acertou, não sou isso
não quero salvar nada -
pra ontem
nem deixar nada pra amanhã
e quero tudo isso
sem ter agora
e escrevo aqui porque falta margem
pras linhas que sobram

quarta-feira, 6 de outubro de 2010





versos no ar
um som de mar

o barulho na pele, trinca

o áspero sal, cristais


até ensurdecer



sexta-feira, 1 de outubro de 2010

caixa flutuante

intuição de muitas vozes

cabeça apoiada
em sombras
flutua

em ranhas
- escultura

era mais ou menos assim:
sofre dor antiga dentro
acendi quando passou

é dor
 é antiga
e dentro de mim
 não desabrigo minhas cores


 jeito de contar
escrevo
como
não entendo
fico
eu de ser

terça-feira, 28 de setembro de 2010

nome, sem

 te(m) marcas
o corpo
sutil (e)
mente
(beleza que me cega)
beleza que me cega

seca
me olha de dentro
nevoada de calma
sem pressa

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

do amor

sempre se perguntava: por que tudo é tão complicado?, e perguntava pra todos também. por que tudo é tão complicado?. e tudo foi ficando tão complicado. e se amarrando. e as teias se fazendo. e as teorias não aprendidas que falseava pra poder conversar com as pessoas complicadas. queria ter amigos. e todas as vezes em que a cabeça branqueava era bom. então foi que tomou gosto pelo complicado. porque nele descansava tamanha a exaustão. ficava olhando com admiração a complicadeza do mundo. das pessoas. dos bichos. da ciência ou o que chegava até ela de ciência. tudo bem que em geral era o branco que vinha. quando muito uma rima que matava.

 você já viu um barulho de tear?, parece música. e o ar fica coberto de pano, filetinhos de pano, dançam, e entram no peito das pessoas. as da vida complicada. e as pessoas são uma pras outras. e elas sentem na complicadeza da vida uma as outras,

e tentam se entender, refletir, pra se pensar. e usam por isso as palavras. não sei bem destas, elas, me complicam

aí escolhem as palavras. e digamos assim: com determinação.

pra contar pro mundo o que você quer contar pro mundo. pro mundo se posicionar, acho, ou você.

está tão longe do mundo. e deve ter alguém a pensar nisso. no mesmo momento em que você.
uma amiga dizia: você não é tão importante assim pro mundo. não preocupe. flauteie. tem muita gente no mundo.
e tanto mundo no mundo.

gosto de escrever -

dilemas quase nenhum. mas olho e gosto de escrever o que posso ver. e pra isso ainda uso as palavras.

de repente:

 vamos as palavras. todos os sentidos mortos. e elas não valiam, as palavras. se libertaram do valor. e ficaram plumas. e as plumas? bem as plumas também não valiam. a menina dizia: eu quero ser uma pluma pra você!!, você entende? não, não entendo. este bloco de concreto? você entende? não, não entendo.

esta âncora? este pássaro? entende?

não, não entendo.

e ela aprendeu a voar. mas queria um porto seguro. você entende?, não, não entendo. e por sorte como o mundo é grande e tem muita gente dentro dele. e estão ocupadas, ninguém validou este querer, então, ele não teve valor. e o tempo passou.


e foram anos sem falar. muda.


foi nesta época que um menininho ajudou a entender algumas coisinhas, bem simples. e simples é sempre plural. sempre.

musiquinha:
.
.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

(van gogh)

sonhei em azul: inveja
ribanceira,

tem palavras que se escolhem
e revelam sentidos

tanta cidade aqui
mas
 tem lago, tem gramado, tem margem pra deitar
tem um ar que é mar
e sono
sonho com inveja, em azul.


formigas doídas
e folhas que parecem desenhos no azul do céu
tem margem, tem lago, tem alguém deitado aqui
que olha folhas desenhadas no azul do céu
 mar

íngreme, palavra que jamais usaria
deitada no céu
olhando folhas
desenhas no chão, sombras de um mar

vejo, invejo
os espinhos que deixam a doçura da flor deitar

segunda-feira, 20 de setembro de 2010


(imagem, internet)*

brisa
não pergunte
se ausente
 ar, impressões, sopro.

sábado, 18 de setembro de 2010

tremores

remoto
é um lugar onde me escondo

de tudo que
das coisas por
do medo de

falar a verdade é atrair terremotos

remoto
é objeto que controla
 longe

tudo
as coisas
o medo

abalo

do medo
das coisas
de tudo

meto
a cara contudo

que
tenho, remoto,
dentro de mim

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A mulher agachada que olha sombras

Horizonte circular, pálido,
pessoas e cores


versões escuras do traço
parece tão real e aveludada
a mão do pintor
na tela somente o olhar



há caminhos que não existem


molhados -

esquecidos dentro de mim.

e um vazio que espera

redundante

na outra margem:

um menino calcula palavras,

porque as quer, (?), belas.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

o fim de semana

O trem está apitando antes de entrar na cidade. Passa gritando. Dizem que manchou de sangue o pano branco. Tem gritos no ar. De madrugada beirando o rio a locomotiva corta a cidade chorando.

O vencedor do festival de teatro foi: “Por que a criança cozinha na polenta?”. Cheiros.

No sábado assisti “mulheres no samba”: balé e samba. Histórias entrecruzadas de três mulheres que se apaixonam por um sambista. E seus objetos. Humanizados, objetos. Cada qual fica com uma lembrança do homem que amou. E suas cores. Os amores. A vermelha dança com a bacia que era sua, mas que se impregnou dele. Do couro, ela, a cuíca. A verde ganha o chapéu, aveludado. Gira pisando em dezenas de cabeças-presas, no pé, vestido de pontas, rosas. Na mesa as duas sincronizam movimentos, rotina igual, balé de elos. A lilás em gestos que separam pernas braços do alongado corpo metódico, dos pés vestidos, cristais, abraçada ao colar de pérola, embala uma valsa de ódio

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

a língua da Ma...

a tia pelefe, rezalmente, a tua língua, mama
não é dedoche - dedo do Che...certamente.
porque ela me deixa em agonia, plofplofunda!,
e parece que to-me viva.


este eu fiz com a ajuda do dicionário da minha sobrinha Maria.
eu confesso não sou coruja. mas sou tia-au-sente,

os olhinhoS dela tão aqui.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010



i,

amo tão provisoriamente
que amo completa
mente;
sempredestino
.
.
.
.
ii,

árvore de caule

Macio

,
,
,

cio-me tange

Pontas de aço

que me cercam viva

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

giz de cera





Tinge de cor as falhas
no amarelo impossível.

há beleza, as paredes, os quartos
do olho deitado no chão
rupestres linhas

no amarelo impossível

transformar um riacho
numa primaveramar

domingo, 29 de agosto de 2010

desenhar até a primavera*

30.08.10


pássaro lilás

a pintura, tua
me sorri

.
.
.

29.08.10

uma lilélula
de asas transparentes
me morreu
quando ainda era cinza



* hoje desenho uma árvore, vejo da janela. agora toda ela, galhos, pontas de aço. amanhã, flores delicadas, em tons...

prece

amor, estulto
silêncio, meu

desenho de yhaht.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

alecrim risca areia
aérea
ah ria,

terra: era tarde quase noite
tem nome pra isso?
quase, quase, quase

teu olho era distante
ausente
era crescida na retina

quase, quase, quase
inda e vinda em riscos

areia livre

quase, quase, quase -

forma.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

quis dizer -

deitada ontem:

- por que sempre o desvio?

concentração zero. minha vida estancada. amarelada.

quantos gritos. me calo que sou capaz de ouvir teus cílios fechando, em fúria.

pensar em que mesmo?


abrindo-se

embaralha tudo no chão da sala o prédio de domingo é:

ex -

manicômio
convento
universidade

agora é sala de ensaiar (teatro)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pula corda, não esqueça de sair, sentido
Dor do parto, estava ocupada comigo, nem senti
Anestesia, seu pé, na minha barriga não doeu
Pula-corda, entrelaça, sem medos

leviana, cabeça.

Um, dois, três, salto, mais um.

Dói pulos. Dois pulos. Pula corda.

Te sinto no dedão do pé que vou lamber

Passa um, passa dois. Me dê sua mão. Sim crônica. Depois solta pra te sentir. O amor é longe, antes de tudo, um corpo
O amor é pressa, antes de tudo, um corpo

De vendas nos olhos Desvendas, meu corpo

é você, estraçalhada, que ainda sorri

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

guarda-chuva amarelo



fotos antigas. daquelas do baú da casa. na testa da tia, um eu. franzida. na casa o algodão vomitava cacos de vidro. bem que ela disse, não!. morreu no caminhão de mudança, sentada na cadeira de balanço. igual passarinho. quem morre dormindo morre como passarinho, ouvia.

- e tudo aqui, não se preocupe, tem nome. tem nome. tudo tem um nome


a avó, casou-se, com o avô. o namoro começou por conta de um guarda-chuva. antes ele namorava a prima-dela. tudo aconteceu por conta de um guarda-chuva, amarelo. lá, talvez, devia chover. ou fazer muito sol. e aí então o guarda-chuva ficava guardado pra sempre

domingo, 15 de agosto de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

anda à cavalo

Eu me perco. Ok?

– quem anda à cavalo não se perde pela lógica do cavalo o cavalo sempre volta ao lugar, perdido.

meu avô comprou um cavalo cego. meu avô usava dentes e morreu na minha frente. o coração dele parou uma máquina, pi, pi, pi...
o médico usava branco - era tão, tão, tão: não-sentia. ele me avisou.

eu perguntei se podia chorar. - posso chorar?
conheci 2 semanas antes de morrer.

(as mulheres andam e os sapatos parecem que estralam o chão)

besuntei a ressecadura dele
olhei olhei olhei

até hoje o olho dele me olha
rachadura

meu avô morreu de coragem

terça-feira, 10 de agosto de 2010

pronto: agora vou lavar louça e fazer o almoço...


Eu só estou escrevendo esta história pra te contar.

Quando eu me dei por lembrada que existia já passava dos cinco. De lá pra cá tenho lembranças de mim. Foi um momento neste ano que de lá pra cá me lembrou hoje que aí eu já existia. Fim de tarde, de lá pra cá, sempre nós, pai, mãe e irmã, uma só aqui, Quando me dei conta na memória que existia. Depois veio outra que era meu espelho e, portanto me lembrava todo dia que eu já existia. Mas aí eu já sabia só vinda a sensação de não gostar de...foi num fim de tarde, vou te contar como se tivesse a sensação na hora de existir, mas foi depois que veio, porque existimos por lembrar que um dia existimos, e fizemos algo que valeu a pena lembrar. Eu me dei conta que existia numa sorveteria, não por conta da sorveteira, mas dos eventos todos que a sorveteria me deu conta. O exato momento, depois te conto o que eu fazia lá, o antes, o depois, e o por quê, de existir. foi no instante em que sentada na calçada da sorveteria chegou um fusca carregado de gente, muita gente, você sabe cabe quatro (cinco) apertados, neste hora o fusca tinha oito, muitas crianças, eu existindo, sentada com todos na calçada, em uma mesa não na calçada de fato, dia de verão, calor, minutos antes de pedir meu primeiro Sunday. O fusca chegou, era como se fosse hoje, a mulher desceu e comprou picolé pra todos. Aí eu passei a existir. Era dracena, uma cidade perto da minha, só podia dar conta que existia lá, lá é o centro sabe, tinha sorveteria. E gente igual poleiro num fusca. Eu estava lá, em dracena, porque todas as vezes que minhas tias vinham de São Paulo, no final do passeio, passeávamos pra levá-las até a rodoviária. Eu adorava quando elas vinham, ia com meu pai de madrugada, nossa, tinha um cheiro a madrugada de buscar minhas tias. Fresco. Cheiro de quem chega de são Paulo. E depois vai embora, porque não é daqui mais, levá-las pra voltar pra são Paulo também tem gosto de sunday, meu primeiro. E de existir em dracena. cheiro de fim de infância. Porque Depois fui eu pra são Paulo, morar, aí eu chegava naquele ônibus, e meu cheiro era igual para mim, não pra quem ia me buscar. Era sempre meu pai que ia, ele sempre queria saber que livro eu estava lendo. então eu sempre lia algum livro quando chegava. e ele ria quando eu contava sobre minha leitura. meu pai passou a existir um pouco depois dos cinco anos, foi numa viagem que fizemos pro sul, na casa de parentes da minha mãe. e no pedágio pra ver as cataratas do rio Iguaçu, eu lembro, que senti meu pai tão gente, um homem foi grosso com ele, e ele tão humilde. depois fomos até o final, eu ele e minha irmã, minha mãe teve medo. mas nós fomos até a garganta do diabo, isso já é em outro lugar, mas na minha cabeça o mesmo. eu tenho tantas fotos deste lugar, as pontes balançavam, por isso minha mãe não foi, teve vertigem, ou qualquer outra coisa de adulto, mas nós fomos até o fim, era um lugar lindo, com quedas d´água, que acabariam nos próximos meses, por causa de uma hidrelétrica, então fomos até o fim. Depois morei com as minhas tias. Meu pai e minha mãe sempre imaginaram que não ficaria ali, que eu iria pra um outro lugar. E eu também.

domingo, 8 de agosto de 2010

resposta ao Secretário de segurança do estado

tem 3 dias que te escrevo
palavra alguma -
tem 4 noites que não durmo
rémedio
quero saber se tem algum
que me cure sem meu consentimento

laço o passado que divido em alma
homens mulheres
violentados
violentando-ses
pontas dos dedos gelados
alma suave
te digo com vergonha
- esquizofreniso o chão

todas as vezes é assim mijam em mim
e bebo o líquido o padre mandou.

de olhos quarentenas
vou
conte, eu a mim,
uma história pra dormir,
sem palavras, elas doem

em cinema mudo, por favor

pois sinto um gosto de sangue nas narinas

sábado, 7 de agosto de 2010

ensaio sobre o amor

Blimunda,

não olharei tuas víceras, ainda que os deuses me concedam a graça. as víceras, de alguém, são sagradas. e o silêncio profundo.

Baltasar

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Na madrugada os desejos, como flores
soam passarinhos

Tem sombras
que se encravam na casa

Igual prego que olha
os contornos belos do impreciso

margens de rios desembocadas nas janelas


Palavras que adornam o pensamento
meninas que rodopiam o vento

o tempo
Suave, suave

Imagens que amanhecem

E se esquecem


dançam em mim
quase como um tormento

Nas tuas costas marcas
Eu A linguar pontos

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A geografia do menino que vivia em "slow motion"-

(gargalhadas) Mas ainda não enlouqueci. Acho.
Rir sozinha é um sintoma, acho.
Uma semana, férias, Filho, escola, portão, tarefas da quinta série. Lanches.

Enfim, vida.

- Mãe, todo final de frase você fala: “...enfim...”

Tarefa. Reunião do grupo da feira de ciências, Da quinta série. Pra quem não sabe -, já terminei a quinta. Acho.

Correria. Médico, psicóloga. Não, hoje: médico, psicóloga: amanhã. Bom. Interrompi a reunião sobre: vulcões, tsunamis, e terremotos. Ou melhor, a intensidade deles.

[- como medir a intensidade?],...”é força.” , fui ao dicionário, mãe!,

Choro, após reunião. Prazos, cobranças, trabalho.
Intensidade do choro.

Filho, por que chora?

- não. Não estou chorando.

Intensidade distraída.
Medo de ser descoberto,
...neguei no final de semana a tarefa que fiz correndo em uma hora, incompleta. Por que mentimos, omitimos de nós, nossas vidas?

Retorno. Preciso elaborar um jeito de terminar tudinho sem minha mãe descobrir minhas falhas.

Amo tuas falhas, filho.

(choro), que diacho de mundo, que escondemos-escondemos.

Bom brincar de esconde-esconde, amor...
Vamos brincar.

Casa. Jantar, [pizza, oba!] – pizza de segundona só estando de férias da mãe há uma semana.

Recomeçando o dia.


Filho desesperado. Terremoto. Ok. Tsunamis. Ok. Vulcão. Mais ou menos.



Repassando a história.

Brincam. Decidem que o maior problema a enfrentar é a cara da professora no outro dia. Diferente dos alunos haitianos.

“Então,

Lembramos do Haiti, choramos .................p e l o H a i t i..........”

-E não inventamos a história do menino que queria viver em "slow motion"
Por conta do efeito do bater das asas das borboletas no movimento das placas tectônicas.

Da delicadeza, da gentileza.

Do profeta da gentileza.

Gentileza gera gentileza. Poesia.

Das falhas no nosso oceano.

Ao pesquisar encontramos uma tabela da escala de intensidade dos terremotos.

O filho organiza tudo. Passa corretor, muda a letra, enquadra.

Ao deitar.

Um beijo.
Mãe, a tabela vai do “não sentido até a destruição quase total”. Estuda comigo isto amanhã.

Estudo.

Volta pra cama. Deita. Sente o corpo tremer. Ouve o coração. Cabeça a latejar. Os pés a arder. Mente presa ao dia.

“Ele falava da escala de intensidade do terremoto. Acho.”

Dorme.

Amanhece:
Inventamos a história do menino que vivia em "slow motion". E brincamos de andar como se estivéssemos na lua. Poesia.

(esta eu escrevi com o meu amor maior, pe.)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

eu ganhei um brinco de ouro, de argola, curtinho. no mesmo natal que minha avó quis matar meu vô, ou o contrário, na certa o contrário, porque muito provável minha vó já havia matado meu avô um pouco antes. eles se matavam todos os dias um pouco. ou porque sempre quando alguém mata, mata alguém, mata-se, a si, também. e A argola do meu brinco de ouro novinho, minha mãe prendia com cola nas pontas, porque por ser de ouro talvez eu pudesse perdê-lo, ou melhor, não poderia perdê-lo por ser de ouro, e a noite na cama talvez isso aconteceria. então colava, minha mãe o feixe da argolinha., sabe uva? as parreiras de uva. não aquelas que plantamos pra vender, essas são lindas também, o cuidado que damos pra cada cacho, com tesoura nós retiramos uvas para abrir espaço pras que sobram crescerem. mas aquelas parreiras de fundo de quintal que não me lembro de darem cachos de uvas pra comer, elas só servem de sombra, dão uns fiapos verdes, todo enrolado. lindos. eu escolhia os mais bonitos no seu enrolado pra colocar neste brinco de argola de ouro. prendia pra dar impressão de ser outros brincos maiores, de gente grande, moça. e falava com pessoas que existiam invisíveis. e eu era moça. e namorava árvores, abraçava e beijava. e quando a história de amor acabava, na minha invenção, ia embora

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

.
.


puxou o fio da meada
que havia perdido -
breve
só pra ter certeza
de enrolar todo corpo
sem nós,

girou a mão, girou a mão
o fio conduziu

nem se apercebeu
nem se apercebeu
da cor da lã

domingo, 1 de agosto de 2010

bom dia dani


tô te escrevendo pra dizer que editei as imagens que fizemos na usina. da video dança. do texto da hilda. da pati, tão linda, bailarina. aproveitei as suas imagens.

aquelas que pegou entre as portas, ruínas, os sapatos, os passos. utilizei pra compor uma das mulheres, das quatro hitórias que construí. o jeito de andar

a de sapato alto, vermelho,

a bailariana

a descalça

e a das suas imagens tremidas entre-portas andando como se morresse - quase fantasma.


um bjo

deo

quarta-feira, 28 de julho de 2010

presa à ideia. ao sentido. seu lugar era a morte porque tão viva.

Contaram aos ouvidos, surdos, por óleo de azeite morno, goela a baixo, jogado pra me livrar do desespero, da dor, causado por uma mariposa, ou um besourinho jade, não sei ao certo. Eu gosto muito de você, infinitamente. A respeito do uso que fez de mim.
:nunca soube - nome, ponte, bilhete, lugar
Por isso falo. Porque calar é saber.
As pessoas daqui de dentro gritam sua história na minha. buscam a si nos outros. que buscam os outros em si. dentro de mim.

O bilhete de amor. Eles se amam através de bilhetes esquecidos em pontes. Indecifráveis. Por isso amor.
Em frases sem pontuação, eles se amam, amor. Em frente ao que não existe: os lugares, as casas, os corpos, a pele, a margem. O dia e a noite, não existem?, sol maior. É um amor através de outros, outros, doutros.

noutros, vôos, vão.

E não vai embalado em vidro e mar,

mas em ventos. Dissolvem o papel e o pó passa, todos ouvem. O amor deles é assim.
Feito de pó-papel-vento espalhados por aí, em gentes.


No entanto quase certo que leio isso. Pares de opostos, amor. Complementos. Isso me parece alguma teoria prendedora, porque prende um outro. E acordar todo dia com a certeza que era eu, me destruía.

E era assim, lia, os amores,

fazia movimentos com os dedos. E eles se ligavam eternos. Porque complemento.

tudo tão esgarçado. e eu não li as últimas teorias da moda

Um dia riram de mim, nunca mais fiz
-

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Tem pedras no olhar, preciosas. E uma mulher que conta os grãos de areia. Um a um. Aquele de brilho transparente, aquele opaco, e tantos aqueles, que não lembro o nome. Tem tempo que escorre areia, mas não vejo. Durmo. Ela conta os grãos, lúcida. Enquanto isso você derrete o mar. E chora sal.

Fio margem desenha na minha frente um zonzear de idéias.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

o que há, vaidade

nuvens

placas tectônicas


movimento -

borboleta.


música, anima de novo

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Você me deixa mais bonita
de manhã no ensaio do teatro disse, num exercício:
Posso ser feliz hoje, gente?

Fiquei com a Laura no colo um tempão. Tantos receios. E olhando pra ela e o mundo este lugar...

O pedro ontem foi à livraria comigo. Entrou. foi direto ao livro procurado, na estante, na prateleira, no lugar. levei um susto.

Filho, cê sabia onde tava o livro?
A mamãe não entendeu.
Ele sorriu – e disse: eu sonhei mãe, eu sonhei

Ontem 2 curtas e 3 longas. Festival de cinema aqui no meu quintal. Amei o documentário e a história do rádio. E o filme de amor com final feliz – “Malu e a bicicleta” –

E sem som...
um som
Vou coreografar um poema
é um projeto secreto

terça-feira, 20 de julho de 2010

hoje, onze anos

como eu nasci?

numa cidade em minas chovia muito era 12 de outubro uma rede enorme na varanda muita saudade um amor sem violão

uma noite estrelas grávidas

um tempo bom, um choro

escolhas

um médico recitando poesia com o teu nome e uma parteira rezando o pai nosso

e eu te tendo

perguntei: ele não vai chorar?

você chorou




eu falei - a voz

parou teu choro


você me ama, mãe?

(...)

a tua voz para meu choro, amor

segunda-feira, 19 de julho de 2010

porque todo fim merece uma boa prosa

ela- sabe q é sempre assim p compensar..
ele - fica chata qdo fica feliz?
ela - um dia triste outro felkiz
ele - aahhhhhhhh
um pouco exagerada..
ela- eu só do tipo q pulo no colo.........................kkkkkkkkkkkkk
sabe alegre demais
triste demais aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaffff
devia ter nascido japoensa..
ele - rsrsr
ela - lé da onde vim, da casa dos meus pais só tem japa, ave maria...
ele - hausahsuah
tu japa
tu gosta de sushi?
hehee
ela - minha comida preferida..rs
é pq tem aquele mito: do equilibriuo..
ele - eco
ela - eu sou mto tudo ou nada acho q vou morrer cedo de exagero..
ele - nao se morre de exagero
ela - rs, sei não,
ele - hehhehhee
coitado do fulano! q houve? morreu ... de q? de exagero...
rs..
ela - a sicrana q deu a dose errada praele..
ele - hehehe

sábado, 17 de julho de 2010




Sábado era dia de procurar casamento, quando menina, me ajuntava com outra e saía em busca do casório mais próximo. O convite não importava. O melhor era a festa que em geral não participava. Era mais ou menos assim – trocávamos a melhor roupa, meu vestido azul de bolinha branca, quase curto, e a minha amiga de vermelho.
Sempre igual todo sábado.
Acompanhávamos a festa de longe, na calçada do outro lado, no muro mais alto, que subia fácil. De vestido mostrava a calcinha. Minha mãe ficava louca procurando pela cidade.

O melhor era quando a festa era no sítio, nossa!, todo sábado alguém casava,
Ficávamos escondidas olhando o vestido da noite. Da noiva. Um dia eu caí, escondendo do dono da festa, bati o peito no chão. Doeu.
.
.
.
musiquinha da adriana calcanhotto.