terça-feira, 30 de junho de 2009

retalhos

aclara
eu
meus retalhos
cores no preto
objetos que inscrevem
como pena sentada a esperar
escrever(matéria-prima)carne
olhar o que olhas ao amanhecer
entender-te (livre-amar-livre)
empilhar palavras
sem
nexo
tocar os detalhes
sublimes
falhas
compor a vida.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

sentir

Não olho o
Nem olha a
Eu e ele
Olhamos em comum
In.comum lugar.
Sem forma
Pintei o que vi.

Na forma que amo.
Refiz desenhos que não fiz.
Aquarelas de lugares que nunca cheguei.
Sem ti.

desforma vis-(à-vis)

derrete na cor igual

delicada mistura do mesmo vermelho e azul

de um tom aprendiz.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Era uma vez...

"Asas cortadas
Meu pai desenhava pássaros,
Os pássaros que eu pedia,
Mas seu filho não mais pede
Os pássaros de outos dias!
Meu pai não mais é
O mesmo pai de tantos dias,
E seu filho, sem fé,
Já não traz mais alegria!
Não há imagem, não há voz
Meu pai procura pela sala,
Procura filho que se cala
Entre tantas sepulturas,O filho ora, procura qual a sua,chora por deixá-lo a sós..."Chico

Era uma vez um amigo que todo dia me entregava uma poesia. Durante quatro anos isso ele fazia. Eu lia conversávamos sobre as minhas dúvidas e rebeldias pois eu não as escrevia. Guardava sempre no meio do livro/caderno da hora. Hoje em um baú de amarelados papéis... são meus alimentos, tracinha que sou... sodade do cê, bandono meu!!

domingo, 21 de junho de 2009

taquara-branca



estradas mal dormidas

lembram passagens da minha vida

do cão que late alto dentro de mim

sinto o cheiro da terra poeir(r)*ão

quando o j(g)i(ee)pe passa num carreirão

lembrando a minha solidão

sinto

os carreadores da minha vida


em que me dei inteira


(resíduos de gente ácida em mim)

durmo

as brincadeiras de criança

divididas em meninos e meninas

as estórias que contavam

de sapos que amedrontavam

os terreirões estrelados

da lua amarelada


do céu interior...

*Maria José, minha mãe, o tempo me ensinou a errar... ainda que tenha produzido 'corretores de textos' - não me adapto àquele vermelhinho que pinta o chão da palavra, continuo a preferir você.



sábado, 20 de junho de 2009

Vazio sóbrio

Sóbria vontade de você
Humana doçura de morrer
Dureza ambígua de desejar
Asa leve de voar
Pés cansados de andar
Mãos pesadas de empunhar
Ventre faminto de outro ser
Seios pingando de viver
Ouvidos atentos ao não ser
Cabeça doendo a querer
Coração pensando a sentir
O sentimento que em mim não vai nascer
"Olho" difícil de ver - minha imagem inertida em outro ser
E meu corpo um templo a esperar...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

mesa

Todos sentados à mesa. Um semicírculo. Duas versões amarradas, entrelaçadas. Compostas uma da outra. Em relação dissonante. Cada qual armada com suas fórmulas de pensar. Encaixadas organizadas mentes nossas. Discurso padrão, p(o)drão. Precisamos nos expressar, gostaríamos de saber o que produzimos, por que não temos valor, ou por que do nosso desvalor em relação a eles? Exigimos critérios transparentes para as promoções, planos para (em)cargos futuros, prometemos diminuir o abstenceismo, leia-se, absenteísmo, operações tartarugas, produção-país-tropical. Calma (...) nosso namoro é muito jovem, temos que ter paciência, ainda não sabemos bem aonde colocamos as mãos, e além do mais administrativo é administrativo porque estudamos e não dá para todos. Tem que existir alguém lá em baixo, aqui em cima não cabe todo mundo. E os encostados continuarão encostados. Em encostas da minha alma encostei-me resignada. Lavrei e não assinei.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Palavras difíceis.

Nossa(...)que livro bonito. É. Mas não é bom. Por quê? Não tem vocabulário. Você não tem vocabulário(?),ou é um livro inadequado para sua idade? Não. Por causa da tarefa, preciso de 10 palavras, só encontrei duas difíceis: fustigante e campeador. Vai ficar incompleta a lição. Ah, entendi. Campeador fustigante dos meus sonhos, morador temporário de mim, boa noite.
ps: o belo e o feio, o bom e o mau, o útil e o inútil... do verdadeiro e do falso nem lembrei.

domingo, 14 de junho de 2009

amor aos pedaços


Porque deus é cínico - e nos inventa para sofrer - com as dores que nós inventamos - porque não temos medo - reinventamos a miséria e reproduzimos o frio - lemos os receios - traduzimos as dores - para no final pedirmos perdão por nossas dúvidas - as mesmas que nos fazem humanos....
...eu vi seus olhos essa noite - de repente apareceu em um repente - me arrependi de não poder te olhar mais - As nuvens carregadas seriam mais doces se estivesse aqui - e o amor uma brincadeira de criança e o sisudo deus - um feirante alegre....que antes se ocupa em ser feliz - depois em contar as moedas.... sem estar esteve essa noite - e seus olhos me aqueceram - no amor de gente - como bicho sente - quando geme - de dor latente... incoerente minha 'mente' - que sente - pedia mais.
em diálogo...
"Mea culpa"
As letras agrupadas num curto espaço do papel, acirradas e sem formar qualquer imagem concreta sugeriam o caos em busca da ordem. Como se o nirvana fosse o oposto do inferno. Não que se conseguisse chegar a um sem passar pelo outro. O fato é que ambos coexistiam, sem que isso fosse importante para a conclusão daquele contraditório pensamento.
O abrigo foi desejado sem que fosse o objetivo. O objetivo foi alcançado sem que fosse procurado. Talvez se procurasse o abrigo sem desejar o objetivo: estático. Não houve ação. Foi solene.
Cogitou-se a transferência da culpa, o encontro das palavras. Mas a ordem, ou sua falta, as deixaram encolhidas, tímidas, intransferíveis: as palavras, não a culpa. Se desencontrou a culpa e se transferiram as palavras: sou cínico !
Foi neste instante se ouviu a voz de Paulo, não a de Renato: “O amor é sofredor”*. Amas ? Sofres ! “Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”*. Palavras encontradas na feira ou naquilo que sobrou dela, pois o resto sempre é desprezado. Daí a infelicidade daquele que nos ofereceu tal alimento, “pois o amor não folga com a injustiça, mas folga com a verdade”*.
Eis a mea culpa: “O amor nunca falha”*
* 1 Cor 13, 4-8
Caio S,

Noite

Quando amei... Fiz poesias - desenhei - pintei aquarelas - produzi um mundo em mim - para ele - e para mim... ele que falava de solidez em seus versos - ai que medo - e um puxava o outro com força - o mundo não existia - as regras - as pessoas - eram pano de fundo - mal acabado. Depois, mudamos, o amor nos mudou e nos ensinou a voltar pro mundo os olhos de amor do nosso amor. Acho que amei...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

abrigo

Zé mudo achado em rodovia vazia perdido sem nome sem história sem nada... ânimos andante. Morador do cam campo de concentração dos excluídos mortos migrantes loucos andantes dos sem família dos sem emprego dos que apanham da família dos sem. Zé mudo surdo e débil espera para existir - há cinco anos – alguém irá inventá-lo um dia. José de ninguém nem dele. A ele não bastou olhar nos meus olhos a suave mão tocou-me e insistente quis borrar minhas pálpebras. Desenhar algo em mim da sua história. Fechei os olhos (...) ele não queria que eu visse - o invisível – nem a mais ninguém. Aquém e além de mim obedeci. Obrigada, Zé alguém, por cuidar de mim.

domingo, 7 de junho de 2009

ninar (...)

Real:
- Mãe, Ulisses é um herói diferente.
- (...)
- O Wolverine é forte (...)
- (...)
- 0 gigante é forte. Ulisses só usa a força dele(...)do gigante,
- (...)
- Boa noite, mãe.
- (...) boa noite, amor...

invenção:
- ah... vai ter o episódio das sereias?
- não sei, amor(...) Eu nunca consegui terminar esse livro. Sempre que estou perto do fim, volto ao começo...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

dói-dói.

dói coração. só hoje.
menos um pouco.
faça mesmo barulho, por favor.
incomoda os vizinhos.
a síndica reclama.
dói coração.
sem bater no chão.
doa, dói-dói.

terça-feira, 2 de junho de 2009

linguar

ontem eu li sobre um trabalho que está ou foi desenvolvido na ilha marajó, sobre a diversidade lingüística. não sei se é assim que fala, bom, sei que esse assunta me anima. lá não usam as palavras crepúsculo e alvorada (não tem no vocabulário). o pouco que ficou em mim, do que li, sei, apreendi, que designam alvorada com algo relacionado ao calendário religioso, complexo. enfim... amplexo...
a várzea deles é varje, varja, valja, valje, vaji, vaja... clariou... só foi citado, por algumas pessoas (homens), para se referir a alvorada. também lá o cadeado é cadiado, no estudo dizem que essa diferença no /d/ tem a ver com origens africanas...africado. distração.descrição.discreta... diferente é nossa deferença, ou, deferência (ou diferença.)
anotado:lá,deles,também lá. cá, meus, também cá.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

deslapidar-se

Estava pensando em coisas. Coisas, que sinto e nunca, jamais, saem de mim. Ficam represadas, são muitas vezes desviadas, conduzidas para outros caminhos ou muitas vezes se acumulam, simplesmente. Em alguns momentos pingam de mim, em outros jorram. Não sei explicar. Não possuo vocabulário suficientemente adequado para tanto. Ou, talvez, penso que se possuísse explicaria além de mim, além do que sinto. Minhas palavras são minha medida. Às vezes, livre de mim, outras, prisão pro que sinto, mas ainda não existe. Eu me lembro de olhar coisas e simplesmente olhar. Agora as vejo dentro de mim. Imagens brotam, facilmente, suavemente. Parece brincadeira de criança a sobra do mundo. Vou até o fim de todas, sem medo. Posso suportá-las cada dia mais. Fruí-las fluindo. ...bela como nunca me vi, cor de rosa brilhante nos lábios, blusa de lese branca. Atraindo borboletas suaves e delicadas num céu dia reluzente. Leve peso transitório de fumaça, agora, olhos de serpente, tecido bruto da alma rasgada do belo feio. Olhos de nada. Des.lapidar-me.