terça-feira, 31 de maio de 2011

ganhei uma pulseira de linhas coloridas
escreve teu nome?
não, escreva poesia.

poesia.

isso. peço toda hora pra que não volte. é muita poesia pra mim.

peço toda hora pra que não apareça. é muita poesia pra mim.

aqui poesia é um nome em uma pulseira que ganho de linhas

ela escreveu as linhas olhou da ponte as pedras
a ponte é bonita

água viva um afronte às pedras; ela é água.

antes de ir até a ponte

todas as palavras que ele não disse
ficaram condensadas na friagem do peito dela
 era tarde, mas manhã. ela não pensou em nada. na friagem do peito que era manhã.

quarta-feira, 25 de maio de 2011


 (miró).

Antes
                   a Eva Durrell
bosque musical

os pássaros desenhavam em meus olhos
pequenas jaulas


 (Alejandra Pizarnik)

terça-feira, 24 de maio de 2011

eu nunca sei que roupa usar pra sair, ainda mais de terça-feira; ainda mais que meu nariz sangrou hoje (...) ainda mais,


e ainda mais.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

entender os números
a ordem do tempo
a matemática da vida
aquele mais um amanhecer
aquela mais uma alegria
aquela mais uma tristeza

e a ordem do tempo
 num instante

- a pronúncia daquela palavra distante

que traz o teu corpo pra mim

a mentira que habita a tristeza
do que olho da janela.

(e nenhuma mais palavra vai sair da minha boca)

tanto faz tristeza e alegria: te escapo um sorriso.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

a violeta de Ana
 ganhou um suporte de vidro hoje
a violeta de Ana, chama-se: Daniela.

da explicação sobre o que eu escrevo:
tem 3 meses eu levei uma violeta pra Ana

Ana não sabia a diferença entre rosa e vermelho,
mas pintava flores.
mas era proibido cuidar das flores no hospital psiquiátrico

então cuidei pra ela.
quando saiu de lá, entreguei a violeta à Ana.

e hoje Ana comprou um vaso  transparente (...)

sábado, 7 de maio de 2011

é a irmã da avó
aquilo que olho da minha distância

neste ciclo  que vasa

vertigem.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

gritam tanto os dois
que o chiado terminal
fere o silêncio
se dividem em tantas vezes

e pisam no homem que dorme ao lado,
na sarjeta.

depois teorizam sobre o amor
(é o que resta)

em grandes livros de capa-dura.

domingo, 1 de maio de 2011

sentei, pedi um café
ele me vendeu três versos
e aí, o poema ficou sem fim

o café sem açúcar e caro
e o poema sem fim
passaram a noite andando por mim

(guarde na caixa transparente
as palavras amanhecidas)

- depois, deixe-as até amarelecer
(me beije enquanto isso)
pra inventar o tempo
e apareça por aqui
apareça por aqui.