sexta-feira, 24 de setembro de 2010

do amor

sempre se perguntava: por que tudo é tão complicado?, e perguntava pra todos também. por que tudo é tão complicado?. e tudo foi ficando tão complicado. e se amarrando. e as teias se fazendo. e as teorias não aprendidas que falseava pra poder conversar com as pessoas complicadas. queria ter amigos. e todas as vezes em que a cabeça branqueava era bom. então foi que tomou gosto pelo complicado. porque nele descansava tamanha a exaustão. ficava olhando com admiração a complicadeza do mundo. das pessoas. dos bichos. da ciência ou o que chegava até ela de ciência. tudo bem que em geral era o branco que vinha. quando muito uma rima que matava.

 você já viu um barulho de tear?, parece música. e o ar fica coberto de pano, filetinhos de pano, dançam, e entram no peito das pessoas. as da vida complicada. e as pessoas são uma pras outras. e elas sentem na complicadeza da vida uma as outras,

e tentam se entender, refletir, pra se pensar. e usam por isso as palavras. não sei bem destas, elas, me complicam

aí escolhem as palavras. e digamos assim: com determinação.

pra contar pro mundo o que você quer contar pro mundo. pro mundo se posicionar, acho, ou você.

está tão longe do mundo. e deve ter alguém a pensar nisso. no mesmo momento em que você.
uma amiga dizia: você não é tão importante assim pro mundo. não preocupe. flauteie. tem muita gente no mundo.
e tanto mundo no mundo.

gosto de escrever -

dilemas quase nenhum. mas olho e gosto de escrever o que posso ver. e pra isso ainda uso as palavras.

de repente:

 vamos as palavras. todos os sentidos mortos. e elas não valiam, as palavras. se libertaram do valor. e ficaram plumas. e as plumas? bem as plumas também não valiam. a menina dizia: eu quero ser uma pluma pra você!!, você entende? não, não entendo. este bloco de concreto? você entende? não, não entendo.

esta âncora? este pássaro? entende?

não, não entendo.

e ela aprendeu a voar. mas queria um porto seguro. você entende?, não, não entendo. e por sorte como o mundo é grande e tem muita gente dentro dele. e estão ocupadas, ninguém validou este querer, então, ele não teve valor. e o tempo passou.


e foram anos sem falar. muda.


foi nesta época que um menininho ajudou a entender algumas coisinhas, bem simples. e simples é sempre plural. sempre.

Um comentário:

  1. rs...
    gostei, ficou muito bom...
    parabéns!

    bjo

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eu não sonhei, sonhei.