sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

"temps: grand vent"

era manhã e escreveu uma carta de amor. dessas de repetir palavras

dessas de repetir palavras.

           era manhã. ela descobriu um grande amor
desses de repetir
de repetir

os tempos

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

I.
tem um mar aqui quando fecha os olhos
não é choro não é salgado
não são cílios enrugados

tem um mar aqui quando pisca os olhos

acho que é uma margem para debruçar-me e dormir.




II.
o poema me livra das palavras

as palavras me adoecem, sã,

enquanto me vê no terceiro sorriso da tarde
nos abraçamos no vermelho do casal que dança
e faz festa, alegres, de nós fazerem amor.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

i,
saudades do damasco dos teus lábios
de quando te vejo
sorrir aldeas distantes
e silenciar adeus.

me reparto.


ii,
 a mágica dos olhos que cura
embolada.
crescida à pó, de serpente o seio que te alimenta
na vertigem que evapora.

iii,
te aconselho:

orar por milênios
ajoelhada nos meus pés
se te esquecer?
 será remota lembrança de pássaro de fogo, sentido no fio mudo do olhar,

que liga nossas almas
às suas asas.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

desconhecidos.

o amor acontecia no vácuo. soltavam manhãs entre os alvéolos. sábios. morreram ao lado de uma ávore que floria todas as estações.

sábado, 25 de agosto de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012




eles se amavam.

quando sentiam um cristal queimando entre os dentes

faziam silêncio.

e um  ou o outro perguntava:

"onde está?"

- aqui dentro de você.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012


o por quê do meu filho se chamar pedro
há 3 séculos. eu cansada, descansei em uma pedra. ainda cansada, olhei para o céu.
e de lá caiu uma outra pedra. fiquei, pois, entre pedras. minh' alma Carrara. escolheu Pedro de nome.

domingo, 5 de agosto de 2012

segunda-feira, 30 de julho de 2012

 
 
 
procure nas unhas

no mais escuro

em tudo que reluz
.

aquilo que amo em você
.
no barulho da concha

que não existe de onde olha

no chão duro

nas pontas dos seus dedos

no lábio que neguei

me encontre no olho do dragão

sem resposta.

do amor que guardei no seu coração

domingo, 29 de julho de 2012


sabe aquela sensação de ter vivido em dois dias
mil anos

e acordar descansada
ainda que partida em dois?

quinta-feira, 26 de julho de 2012

                                                                              equilíbrio

tudo de pequeno
que sente o peito

abre pulmões para o ar

faminto.

quarta-feira, 25 de julho de 2012




I

Que  este  amor  não  me  cegue  nem  me   siga.
E  de  mim  mesma  nunca  se  aperceba.
Que  me  exclua  do  estar  sendo  perseguida
E  do  tormento
De  só  por  ele  me  saber  estar  sendo.
Que  o  olhar  não  se  perca  nas  tulipas
Pois  formas  tão  perfeitas  de  beleza
Vêm  do  fulgor  das  trevas.
E  o  meu  Senhor  habita  o  rutilante  escuro
De  um  suposto de heras em alto muro.
Que  este  amor  só  me  faça  descontente
E  farta  de  fadigas.
 E  de  fragilidades  tantas
Eu  me  faça  pequena.
diminuta  e  tenra
Como só soem ser aranhas e formigas. Que este amor só me veja de partida.

II

 E só me veja

Hilda Hilst

sexta-feira, 20 de julho de 2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

era uma vez um homem.
era uma vez uma vontade de caminhar com ele.
era uma vez uma vez.

sábado, 7 de julho de 2012

o menino sofria de imensidão. engaiolado. o seu aroma corroía as grades. as grades emprestavam ao rio o medo. o medo voava pela cidade. um dia o rio viveu

segunda-feira, 2 de julho de 2012

i,

fala mansa o poema
nesse corpo
deitado de azul
 os pés na friagem da
terra. te trago losna para dourar a alma que contém.

ii,


na noite abriu meus seios entre uma nuvem e outra
céu azul.
 foi mil homens debruçado no ventre nu.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

 
 
 
ainda sinto a maciez da lã
cinza.
os dedos suaves transpassando os pontos. a mágica que tocou os olhos
e a flor. falava da matéria da poesia.e me ensinava um ponto de lã mais complexo.
no meio do fio enxerguei um brilho colorido. era tão bonito.

[e a vergonha que senti por não saber a verdade]

segunda-feira, 25 de junho de 2012

receita para margens verdes na montanha



passar mel nas bordas da serra
e
 então, suave, o azul do céu nos olhos das crianças
transpassar lágrimas no corpo da mulher, de uma esperança,

plantar na terra olhos eternos

domingo, 24 de junho de 2012

sexta-feira, 15 de junho de 2012



estudo as cores
para  compor outros tons para você gostar de mim
daqueles de ajoelhar no chão e limpar os cantos mais díficeis
 das músicas

no sonho vi pássaros ocos moldados de mãos
com poemas no lugar das víceras


e se eles cantarem mesmo sendo de barro?

quarta-feira, 6 de junho de 2012






ontem moldei no barro uma xícara para você
.o barro, o silêncio:
faz crer que tudo existe


vou Entregar-me por completo a esquizofrenia
São belas as vozes. Tem uma sinfonia nelas.
Mesmo quando durmo. Ou quando marca horas comigo,
Há séculos, e eu fico perdida pelas portas que não abrem. ando menos ansiosa. Desta vez você acertou os remédios.
Prefiro imaginar que nós nos encontraremos no eterno. Sem pressas.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

1. 2.

1.

encontro a gravidade da
dança nos olhos
frágeis das crianças
e flutuo os pés
virados em névoas, sapatilhas de ponta,
vertigem nos olhos das crianças.
caminho buscando o céu. e nada me salva
a não ser o teu grito


2.

sussurou margaridas
nos ouvidos meus
à cidade enfeitada de carne e pele
deitada em você
. deitada em nós.
sussurou margaridas nos meus ouvidos.
deitada de pele e carne no meu colo.
alucinada de carne  e pele a cidade
cheirava margaridas nos ouvidos meus
e tinha medo. e se mexia a cada pensamento. temia não ser eu
a sussurar margaridas nos seus ouvidos


3.

nesta manhã
na praça do hospital
um pássaro sobrevoou meus tímpanos. eras sol. na manhã sem cor.
lembrei que um dia, muito remotamente, senti fome.


me alegrei ao lembrar da sede da fome.

quinta-feira, 31 de maio de 2012




corpo expandido de pássaros
ela salta na amplidão sem ninho
sem medo.
tropeço e escorrego no dia na noite
naquilo que é
claro. macio caminho
no escuro


imagem: dani carrara

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Chico, um amigo dos tempos da fflch, escreveu um poema sobre o que escrevo,
fiquei feliz e surpresa. na primeira vez que li, nem olhei direito, fiquei tímida, depois consegui olhar melhor, e agora compartilho com os leitores daqui o olhar poético do Chico, um amigo do para sempre.


ler aqui.

sábado, 19 de maio de 2012

bricoler



i, o trem

ela morava beirando uma passagem de trem. neblina não faltava. se acostumou com os horários de apitos movediços. desexistiu as estações. somente
 imaginava dormia embalada pelo prateado dos trilhos e sonhava com o cintilante da cidade  formado de movimento
 do trem.
com o movimento. sonhava as estações. mas via homens subindo no meio do caminho. andarilhos ou forasteiros, não sei. se acostumava de adeus, talvez sim

com os olhos  me ocorreu uma mulher passeando pelos cilhos do trem. movida a barrigas grávidas.

ii, a estação

a mulher acalmava a cidade com as cores. passava seus cabelos tingindo as bordas que horizontavam a cidade. a cidade. a cidade.
eram as bordas tingidas de amanhecer. a mulher. a mulher era o cabelo  a procurar a cidade.

curar.

iii, as conchas

das imagens o pensamento que debruçam palavras no mar. elas dormem amanhãs.

terça-feira, 8 de maio de 2012

 i
as mulheres  bebem água e alucinam
eu, só consigo ser homem.



ii
 se não estivesse tão magra
se não estivesse tão farta
e esse sal todo na pele
me faltaria de você

e toda essa água na boca
me inundaria.

terça-feira, 1 de maio de 2012


minha amiga querida.

ontem enquanto pensava em você embrulhei essa imagem
 parti em 4 pedaços
na margem escrevi

ao queimá-la recite três vezes uma palavra desconhecida em todos os tempos e dimensões.

sempre fico sem jeito; sou péssima em terminar cartas, às vezes: é  o abismo.

com amor

dani

quarta-feira, 25 de abril de 2012

oris






pelas horas distraídas dentro de você. amor




quando todos os pássaros
se dispersarem nos olhos
lamentaremos a névoa
da vida, ruptura das mãos
de pele grossa que serena o que não existe




no vermelho  horizonte,
dos que te amparam. o absoluto
mais que instante, carne viva.


 sim,  latejam contornos,
formigam páginas.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

antes de agora

                                                                 (imagem net)


lambo do céu
a lágrima

 gengiva de sangue

 pétala-orvalho

quarta-feira, 11 de abril de 2012





a mão indecifrável
fio cego, garganta

na pele de concha
 hálito de mar

sexta-feira, 6 de abril de 2012




 lâmina corta
a lua na noite clara
deus, que não sei de escrever,
atravessa nossa língua.


sábado, 31 de março de 2012

.







trombam azuis
antes de existir, concebia de  erros,
marejada de ideias
me limpei de livros
 o orvalho descansou as pernas

faminto de palavras vazias






sábado, 24 de março de 2012

filho da gente cresce da noite pro dia II





não sinto o outono
sinto o pedro voar.
 
olho pra você pra refletir minha ternura. e nada mais.

quarta-feira, 14 de março de 2012

deito minhas dúvidas
no silêncio das areias
o que há de mais profundo

 transparência das águas

quarta-feira, 7 de março de 2012

La pluie



 a menina deita nos olhos

clareira dos cílios


e vê:

vão entre as digitais. abismo

 que corrói
as palavras que te escrevo




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012



quantos traços morrem em mim
da flor que reclama o desenho
pra te olhar de dentro. salivo.


sábado, 25 de fevereiro de 2012





diário de frida khalo.

van gogh sobre frida em carta a théo:
minha orelha.

abismo


domingo, 19 de fevereiro de 2012

                                                                    (foto, vera vacari. chile)


tem sonhos espalhados por todo o chão
subir a montanha
sem levar / a menina para passear/
sem marcar o caminho de passos curtos e
profundos - como?

como  subir a montanha sem subir a montanha?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

toca pele sol tímido
e inunda

do nada o homem
deu pra dizer que me ama:

isto assusta.

sábado, 11 de fevereiro de 2012




mergulhada no corpo
necessito palavras

ancorada nas mãos
nego pouso

amplidão

manchada de você
necessito você

domingo, 5 de fevereiro de 2012

 
 
 -
amarrada às cordas vocais
a voz não alcança o chão
neblina horizontes
ii
ser a brisa de um moinho
na secura de uma aquarela
  iii
 enquanto caminho sobre os ombros
a menina dos olhos reflete um juízo
 ...
 

domingo, 29 de janeiro de 2012




entre nós
este espaço infinito 
aberto à palavra
entre os nós
o passo finito
aberto a olhos

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

querido.

o que desejo pro nosso amor. é que você consiga amar muitas mulheres.
te tranquilizo. as minhas preocupações estão voltadas pra essência da água.
e passei o dia observando aquela porta que desenhei pra voc|ê. antes de saber quem era.
e a mesura.

"nos olhos de vidro/ tenho você/ fragmentado"



reparou hoje que todas as pessoas do mundo fizeram um verso que falava de ausência?

 penso que o mundo será salvo pela poesia. e a noite com o tempo não irá mais existir. sinta a distribuição do tempo e a rotação da terra.

com amor,

dani
 (queria  me inventar outra pra te agradar.  farei um fake meu com o meu próprio nome. eu que não existo serei eu mesma. mas ainda vou refletir mais sobre essa ideia.)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

saciedade do excesso

fui uma das formiguinhas que sobraram
do vômito do menino

(o menino passou 7 anos num hospício
Recebeu uma visita,

a da mãe, que levou 3 yogurtes,
Ele tomou os três de uma vez, e vomitou, destruindo um formigueiro)


saciei-me.

sábado, 14 de janeiro de 2012




suave



faziam um gesto qualquer de piedade
e pra isso usavam pedras de algodão
as flores

os cabelos
se enfeitavam



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

escrevi junto da Cris um poema pro Assis.
porque hoje é aniversário dele.

link  aqui - ....

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ardume nas fronteiras com o ar
nervura que escorre o dorso
nas  mãos
ou o que adjetivasse a palavra
 vida
..............................
 os dedos molhados
 lentos de estalagmites
 conjunto composto de reentrâncias
às beiradas de um homem
.......................................
todos os sentidos, desse haver sentido
por haver sentido
sentido algum.