domingo, 21 de março de 2010

Um dia faz...

“Mãe eu sonhei que viajávamos para a Espanha. No meio do caminho, no meio do caminho, você ficou muito doente, de novo, de novo, e morreu. Eu chorei, chorei. E errei o caminho, eu fui parar na Inglaterra, e lá, me desesperei porque não sabia a língua. Encontrei alguém que me ensinou. Mas mesmo assim peguei o avião errado de volta pra casa.”

A mãe sorriu. Pegou um saquinho com argila. Caminhou levando [sem palavras] o filho até a sombra de uma amoreira no fundo do quintal. Sentou na grama. E assim sentaram os dois. E o sol era de vidro. Vitral. Dividiu a argila em pedaços. A argila, as mãos, o movimento: ovinhos de páscoa.

Amor, morre aqui, nasce lá. Silêncios e palavras. Todo o santo dia.

Mãe me ensina inglês. (?),

[sorriu] agora os dois.

Eu não sei, amor. E sorrindo repetia, eu não sei, amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

eu não sonhei, sonhei.