quinta-feira, 11 de abril de 2013

foto: armário de casa. uma das primeiras peças de cerâmica que produzi - esculpindo ao acaso: brotou um vulcão: adormecido.





nalgum lugar dorme:
palavra
pálpebras escondidas
nos cinturões de flores
crepúsculos. de guerras.

ruas silenciosas/metáforas fendidas
talvez
o não-ser da língua
diga - quartzo.

segunda-feira, 8 de abril de 2013






palavras enrugadas na garganta
cegaram-me
fizeram da vertigem: passado.

domingo, 31 de março de 2013

o mar passou por entre suas pernas
anoiteceu pedra na palma da mão
mordaça de séculos. prurido
no pálido dos olhos. vertigem. você.

segunda-feira, 18 de março de 2013

mãos minhas
pedras de gelo
escultura acomodando-se no fundo aguaso
dos sonhos

seu rosto um nome
transmudo. irrequieto de passados.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

‎6 de julho 2011.

solto caracóis na transparência dos seus dedos
II -

... quando a noite nos movimenta
solto caracóis na transparência dos seus dedos
é sobre-humano dormir sem seus braços
solto novelos no macio dos seus dedos
é sobre-humano dormir nos seus braços

I-
abro a noite no peito e sinto as dores
de tudo o que o rio frágil não absorve
abro as dores numa noite
e sou fuligem a deslizar no seu leito

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

se não te ouvisse no absoluto,
como conheceria a não-palavra?
se pela manhã não mergulhasse o silêncio nos meus ouvidos
não seria poema
se não me fizesse escrever em terceira pessoa
deitado entre minhas pernas
como me saberia alma?

e quando diz-me:

... “a amo no fluido imperceptível
naquilo que aqueço quando toco os meus dedos
na sensação que desaparece no retorno da lágrima
para dentro da pupila
na comparação ( comparação?)
entre o que me movimenta
e o que me faz esquecer que sou matéria”

resta-me um “sim-azul”

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

a brisa a acordava. dizendo que o movimento das folhas inexiste.

e tocava as notas musicais que só conheço o som.

o som se esparramava nos vãos de uma casa cor-de-rosa.

nos sentidos, reconheceu os passos de um homem.

um homem que toca piano

... [que não toca piano]

na lembrança do som

nos ouvidos à brisa.