Inconstância
Mudar mudo
mudança silenciosa
que de forma estridente
nos conforma.
Olhar longo...
que contempla o que não mais existe.
Saudade,
buraco no corpo
inchaço na alma
E tudo é o mesmo que será.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
sonho.
Quiocas e quimbundas no Rio Luena/1970Lembra do sonho que tive... Acordei assustada e chorosa. Discutíamos sobre um nome que vi em um mapa no museu. Perto da sala que havia homens acorrentados, daquela que você fugiu, chorou antes de ver. Próximo as imagens dos santos que me deixaram com medo. Foi um presságio, Luena, eu dizia que era o nome de uma cidade e você o nome de um rio. Bem, estávamos certos os dois. É um rio que mora na cidade. Nasci em Angola. Morri no Luena.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
lucidez
arrepender-se
docemente perdoar-se
para depois recomeçar
e ouvir novamente o ruído que sai desafinado
dos corpos "treinados" ao movimento de amar
daqueles que não amam
fingem o belo no tédio do gozo
sensação insensível e covarde
do imediato
dos que esperam
a vez
para amar
com fluidez (lucidez)
amar, amar e morrer...
docemente perdoar-se
para depois recomeçar
e ouvir novamente o ruído que sai desafinado
dos corpos "treinados" ao movimento de amar
daqueles que não amam
fingem o belo no tédio do gozo
sensação insensível e covarde
do imediato
dos que esperam
a vez
para amar
com fluidez (lucidez)
amar, amar e morrer...
terça-feira, 5 de maio de 2009
graça

Cito-me
a mim
não tenho lugar
o lugar não me tem
sonhei que estava no ventre da minha mãe
o calor era meu
o lugar era eu
sem me ter
passava eu por mim
sito-me
em mim.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Informe*

*informação, conhecimento sumário de coisas banais que acontecem no dia-dia. A imagem e a frase: procurei, procurei, mas não achei...:anômim@.
nanopoema
"Infinito(u)*zinho"
Arnaldo Antunes
*as pessoas têm medo do erro. transcrevendo a dificuldade de ler,
domingo, 3 de maio de 2009
FEsTO
Ele olhou bem no fundo dos olhos dela. Estava deitada, esperava, sem receios. A hora naquele dia enganou os dois, haviam perdido o caminho, esquecido o que faziam, e assim retornaram para o começo que implorava por um fim. Ele fingia segurança, conferiu(o) calmamente, qual a profundidade do medo e segurando na ponta dos dedos, levou para dentro a certeza sem futuro, ou melhor, de um outro futuro (não mais que um broto de feijão, só que branco). Ele disse que era capaz de desejá-la naquele instante, ele disse: Ela disse: amo você. "Doeu?" Não, está tudo bem. Seguiram para casa, agora, os dois esperavam, e, a música era "cantada" no rádio, como transmutação. Conversavam. O assunto era o mesmo de sempre, algo relacionado ao trabalho dele, aos direitos sobre o corpo, à liberdade de decidir, ao que a música queria dizer, ao que o livro disse, coisas sem conexão. Ela tentava esconder um sorriso de vaidade, a preocupação e o cuidado que ele doava, tiravam dela um sentimento de soberba, porque nada possuía. Não importava as dores e os espasmos, nem o medo, que ainda não existia, precisava ser inventado.Logo, coágulos e choros noturnos, acompanhados de alguém. Palavra sentida: esfacelar-se. Ele insistia em "vazio". Discordavam, no entanto. Sol, comemoração pela manhã. Algum tempo para cicatrizar, não cicatrizou. Naquele final de semana não se(nos) beija(mos)ram, lembro, um, único beijo... gelado, doce, inesquicível. Quando uma semana depois, ela, apareceu deitada na maca toda azulada, mas viva, ele surpreso disse: "você está sorrindo", mais parece uma santa. Ela não disse: não amo você.clara maré
Assinar:
Postagens (Atom)

